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O nome oficial do torneio era Torneio dos Campeões de 1969, que reunia vencedores da Taça Brasil, do Robertão (Roberto Gomes Pedrosa de 1968), do Nordestão e do Torneio Centro-Sul de 1968. O Grêmio Maringá, campeão do Centro-Sul, se credenciou para enfrentar o Santos, campeão do Robertão, na semifinal. O primeiro jogo foi marcado para o dia 10 de maio de 1969 e terminou 1×1. Por falta de calendário do Santos, o jogo de volta foi empurrado para o dia 4 de abril do ano seguinte e terminou também empatado, desta vez 2×2. “O treinador era o Zuringue e ele me mandou anular o Manoel Maria, o jogador mais perigoso do Santos. Eu fiz naquele dia a melhor partida da minha vida”, diz Ciska. Só que era preciso um vencedor. Era preciso mais um jogo.

Como não houve vencedor, não restou à CBD alternativa que agendar uma partida extra para definir o adversário de Botafogo na final da competição. Como o time de Vila Belmiro estava com a agenda cheia, desistiu da partida extra, deixando para o Grêmio Maringá o direito de enfrentar o Botafogo, que por ser vencedor da Taça Brasil de 1968 só entraria na final da competição. No entanto a CBD decidiu não mandar representantes para a Libertadores de 1970, alegando que o calendário da competição prejudicava a preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo. Ao saber disso, o time de General Severiano perdeu o interesse em brigar pelo título daquele torneio que ficou enroscado e não restou à CBD reconhecer o time de Maringá vencedor por hipotéticos placares de 1×0. O famoso WO. O título foi obtido de forma meio chocha, mas alguém tinha que ser campeão.

E ficou assim. O Grêmio ficou campeão de um torneio espúrio que, no entanto, existiu. Se Santos e Botafogo não compareceram, perderam por WO. Tudo certo, mas sem glamour. O torneio não conta ponto para o ranking nacional, mas o Galo do Norte se transformou no primeiro paranaense a ser campeão nacional de alguma coisa promovida pela CBD.

Reflexão

“Eles acabaram dando o título para o Grêmio, mas a verdade é que aquela taça nem existe mais”, conclui Ciska sobre a epopeia que foi aquele título – e a confusão que foi a competição de 1969, o ano que nunca terminou.

O canto derradeiro do Galo do Norte do Paraná, para além de seu terreiro, ecoou em 1977. Naquele ano, o dia 2 de outubro marcou a última conquista do Grêmio Maringá, e do futebol profissional da cidade, na primeira divisão do Campeonato Paranaense. Do Alto da Glória, contra o Coritiba hexacampeão consecutivo, o time se sagrava tricampeão e rivalizava o status de maior potência do interior junto ao Londrina. Quarenta anos depois restaram apenas memórias.

O Grêmio, dessa conquista, definhou ano a ano até deixar de existir em 1996, embora atualmente outra equipe utilize o seu nome e tente dar continuidade à sua história. O time está atualmente na segundona do estadual.

De volta ao ano de 1977, a festa da torcida foi feita com os gols do artilheiro Itamar, de cabeça no Willie Davids, em Maringá, que garantiu a vitória pelo placar mínimo. O outro, de falta, no Couto Pereira, em Curitiba, que assegurou o empate e deu o troféu após uma campanha conturbada na competição.

No início da caminhada, a equipe refletia em campo os problemas dos bastidores. Anos difíceis sucederam as conquistas da década de 1960, quando a equipe, ainda Grêmio Esportivo de Maringá, conquistou o bicampeonato Paranaense, em 1963 e 1964, e o torneio nacional Robertinho, em 1969, equivalente à segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

O time campeão sucumbiu às dívidas em 1971. Renasceu, azul e branco, como Maringá Esporte Clube, para, logicamente, não dar certo entre 1972 e 1973 – eram as cores do maior rival, o Londrina Esporte Clube. Até que, em 1974, o Esporte Clube Operário fora transformado em Grêmio de Esportes Maringá, o sucessor legítimo, que passou a disputar o Paranaense a partir de 1975.

A campanha do título começou, inegavelmente, no gabinete da Prefeitura de Maringá. O então prefeito, João Paulino Vieira Filho, solicitou ao Conselho Deliberativo do clube uma autorização para indicar alguém de sua confiança para administrar o Grêmio, com justificativa de que queria ajudar na montagem de um grande elenco.

O aceite não demorou. Marcos Mauro Penna de Araujo Moreira, que fez parte do secretariado de Vieira Filho, tomou posse como presidente do clube. Com o aval do prefeito, além de recursos do município, a diretoria foi buscar apoio do empresariado.

– É inegável que o futebol em Maringá teve equipes fortes quando houve apoio do poder público. A diretoria trabalhava? Trabalhava. Mas o doutor João Paulino mandava trazer e bancava – aponta o camisa 9 e artilheiro na campanha de 1977, Itamar Bellasalma, aos 67 anos.

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